A cada dia que passa o raso torna-se profundo. E a piscina já não é mais a mesma. Entre dragões indomáveis que cospem fogo e o fogo que inflama a carne, o osso, alma humana. A decadência propõe surgir e se alojar como uma inesperada visita.
O dia insiste em ser frio acompanhado de uma chuva fina sobre o asfalto cinza. O sorriso foi desmanchado. A casa está no chão. Não houve porta que se fechasse, palavra que confortasse ou mesmo algum principio que controlasse a tortura das mãos tremulas. Faltou chão aos pés.
O herói de infância não veio. O relógio não parou e já não se pode mais atrasar as horas. A chave foi roubada. E a dama negra festeja mais uma vitima julgada a um regime injusto sem qualquer tipo de lei que revogue a sentença. Logo, todos diante da face pálida são mártires que lamentam o ocorrido. Foi o que aconteceu.
sábado, 17 de outubro de 2009
Uns Versos

Quem disse que a palavra perde-se no tempo?
Que o tempo consome memória?
Que a memória não é escrita?
Mais 365 dias.
Uns Versos
Na TV o clipe da Amy
Sob a estante aquele retrato
Amigos, meus amores
E tudo são flores!
Sou prisioneiro do itinerário
De guichê de restaurante,
De poltrona de cinema
E Sarau de Português
Um dia, cinco anos e algumas vidas passadas
O relógio já representa mais
Que a contagem cíclica do tempo
Amor não se conta.
Amor se vive
Eu vivo,
Nós vivemos.
[Outubro, 2008]
Que o tempo consome memória?
Que a memória não é escrita?
Mais 365 dias.
Uns Versos
Na TV o clipe da Amy
Sob a estante aquele retrato
Amigos, meus amores
E tudo são flores!
Sou prisioneiro do itinerário
De guichê de restaurante,
De poltrona de cinema
E Sarau de Português
Um dia, cinco anos e algumas vidas passadas
O relógio já representa mais
Que a contagem cíclica do tempo
Amor não se conta.
Amor se vive
Eu vivo,
Nós vivemos.
[Outubro, 2008]
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Coisa di minino, né?
Algumas palavras sortidas em pensamento. Escapam neurônios, anseios e verdades. O PODER indica nomes de nomes, em outras línguas, a fila e a arte. O homem de mala e chapéu segue. Qual o mistério no processo de seleção natural? Ele é o escolhido. O talento é oculto. Quanto aos detalhes de perfil em si seja um divertimento de luxo restrito a pouquíssimos saxões. A cultura foi imposta a selvagens. Eles cobram uma bagagem igual à deles. O que tenho deve ser apagado da história.
sábado, 4 de julho de 2009
Olhos

O homem andava pela rua onde costumava passar todos os dias. Entre todas as coisas que via sob a calçada, os olhos encontram postes. O jornal expondo os crimes da cidade, a mulher enamorada a vitrine com apoio do vestido-manequim. Pessoas ao ponto de ônibus, a criança a comprar doce.
Seguia como de rotineiro, passos largos a assobiar na companhia de Marisa seus hinos da manhã. Abaixou para amarrar os sapatos. Voltou a andar. Olhou antes de atravessar, quando viu uma mulher bela na sacada de uma casa em ruína. Sem inocência, olhou-a com olhos de comer fotografia. Ela esboçou um sorriso para questionar:
-Homem, que me viu a princípio com olhos avesso. Eu o conheço?
Ele a fitou com mistério e respondeu:
-Não. E desceu a rua devagar.
-Homem, que me viu a princípio com olhos avesso. Eu o conheço?
Ele a fitou com mistério e respondeu:
-Não. E desceu a rua devagar.
O BANDO

As cortinas se abrem. O canhão de luz ao centro. O som inicia a maquinar aos ouvidos culpados. Andam juntos, seus olhares mostram a conivência entre si. Movimentos tortos seguem em meio à maquiagem colada no rosto e esboçada pela pressa da rotina.
Todos seguem aleatoriamente a apontar de maneira grotesca a realidade cega pelo tempo rápido. A vida só pára quando algo realmente atropela o espelho. A dúvida paira pelo ar. Qual o assunto que mais lhe interessa? Além da vida in vitro feita nas coxas e vivida ás pressas? O homem sem entender, volta ao automático aplaudindo de pé. De resto, tudo se congela até que se fecham as cortinas.
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