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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

In-confissões




São exatamente 02h42min de sábado. Segundo os meteorologistas do jornal, aproxima-se uma frente fria ainda nessa madrugada. Estivesse a conferir esse frio se não fosse a insônia, minha oportuna companheira. Conversei comigo mesmo sobre o decorrer do dia. Na verdade, as coisas que imaginei durante o dia. Pensamentos inacabados, pretensões, confissões que nunca fiz.

Tudo isso se deu, em primeiro instante, no ônibus. Estava com fones de ouvido, e assim como um surto, lembrei de coisas que nunca disse, e carrego comigo como souvenirs. Seria notório lembrar o que as impediu de serem ditas. Medo de inconveniência? Timidez? Não sei explicar ainda.

Agora são 02h51min, olhei meu twitter, passei por páginas do orkut. A tv está a passar uma comédia horrorosa de policiais. Talvez depois de ter escrito o parágrafo acima, busquei uma resposta que combinasse com a hesitação antiga.

Logo, correu-me um sutil incomodo por guardar posições que, se antes tivessem sido apontadas, tudo seria diferente, ou a mesma coisa sem o pesar dessa até então, inconsciente bagagem.

Uma vez me disseram (fazendo referência a uma especial amiga de sempre), que todos têm um não gratuitamente, e admirável é ser o que se é sem fugir de nada que pareça não ter solução. Não o fiz, mas acho que entendi hoje o que quis dizer.

Obrigado pelo conselho e pela foto!

sexta-feira, 19 de março de 2010

mensagem

São Paulo, 18 de Março de 2021.

Querida,

Eu ainda te amo. Disse algumas vezes que havia cansado deste amor tolo, utópico de suspiros profundos, musicas perfeitas, delírios noturnos. A verdade é que ainda és dona de todos meus pensamentos. Os sonhos que guardo e que nunca a entreguei.

Sinto que nada mudou. Certo, correram-me anos, e meu maior tesouro encontra-se perdido contigo. Não culpo minhas palavras covardes, ambíguas que tanto a segredaram esses anos todos. Fomos vítimas fragmentadas da dimensão psicológica de meu amor.

Com tudo isso, passei apreciar os paralelos desamores. Sambei desconcertados muitas vezes, queixei-me à rosas, e adivinha, elas não falam. Quantas vezes ensandecido de loucura falei sozinho, parou o relógio, cobriu-me à noite de insonia e nada restava além da monotonia de sua ausência.

O que posso eu, se não amar-te mais e mais, seguir esse ciclo vicioso, talvez fosse eterno, vermelho soluço. Se ao menos uma vez, pudesses você. És tão finda que rouba-me até mesmo as palavras, fossem todas minhas clamações, exclamações suas, provarias eu deste zelo que me abstém.

maior se faz meu amor,

A. C.