quinta-feira, 21 de outubro de 2010

registro

Ele acendeu-se o dia
então abriu o céu com você
Teve tempo de molhar os punhos
e coragem para secar os olhos.

- Por que choveu o rio e secou o dia?
(Vanguart)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Eróticos? Sim, exóticos!

03:20 p.m

-Tudo bem?
-Tudo.
-E aquela pessoa?
-Não existe aquela pessoa!

-Nossa que profundo.
-Cavar, cavar e cavar.
-Tem uma comunidade ‘Prazeres da Vida’, você sabe, entre amigos...
-É? Não sabia.
-Podemos começar?
-Sim!

Aos poucos, a luz da sala que já era pouca, sumiu. Ficamos no escuro. Houve risos perdidos, leves sussurros e alguns chocolates. Prosseguimos:

-E então?
-Hum?
-Foi bom pra você?
-Sim.
-Também gostei muito!
-Só que foi um pouco rápido demais...
-A mais valeu à pena, né?
-Sim, foi um prazer.
-Já te falei que deveríamos vir mais vezes ao cinema!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Fuga nº 02



É assim que vão embora? Como as cores daquela roupa que desbotaram, as chaves que se perderam pelas ruas à fora, as poesias que não rimam. De repente! Como cartas sem remetente guardadas na gaveta, ideias despretensiosas e passageiras, como o correr de um único minuto, breve e que o longínquo passado rouba-o pra si. Talvez, como o despertar de um dia especial marcado no calendário, ainda, como o retrato tirado neste mesmo dia. Como um orgasmo marcante e casual, como os outros pecados perfeitos que se escondem na carne. Um simples déjà vu entre dois estranhos que se encontram pela primeira vez e são tomados pela sensação de já se conhecerem a tempos.

É assim que sentimentos mudam e acabam? Flores murcham, noites padecem. De repente! A liberdade que segue com os trilhos da estação. Chuvas cessam e dias nascem. Como um suspiro aliviado ou como um ofegante susto! Como a tragédia que você sempre chora mesmo depois de ter visto muitas vezes. Como o meio fio que se perde no subliminar detalhe, como um quase certo ou meio errado, certeza e contradição.
Neste momento, é assim que tudo se define, se ocupa e vai brevemente... Adeus!


http://palavravulsa.tumblr.com/post/1186162523/eu-sei-que-quando-anoitece-nos-teus-sonhos-tambem

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Commedia triste



Pierrot apaixonado
mostra cores que não têm
A lágrima triste sobre a maquiagem,
o bem-me-quer que não vem.

Pierrot errou de Colombina
preferiu ser escondido
Outro levou sua majestosa flor embora,
deixando espinho à ser recolhido.

Pierrot sem sentido
sem fins, começos e meios
No jardim sem flores
de um só amor e alguns devaneios.

Pierrot recolhido
à sua espera tardia,
na janela parado
Oh! Tolo de inocência, ela não vem nesse dia.

Pierrot espera seu happiness
um final lindo em preto e branco
O que será desse amor?
Nada mais que pranto.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Conversa poética

Sobre o amor


AP:
- Mensagens de saudade, um amor platônico, talvez. Intimou-a uma descoberta que se aflorou por entre as mãos. Rubor no rosto interrogativo. Resposta morna. Nem quente de clemência, nem fria de remissão. Permanece imaculada, a verdadeira distorção. Quem é que sabe? Só o coração.

EG:
- Amores platônicos, pulsantes ao coração, falado por bocas injúrias mornas. Entre paredes da sala, estampam a mais pura e bela infidelidade do perfeito. A bela moça também o fitava. Em coito, verdade, mas o prazer do platônico é limitar-se ao quase. Hoje ainda, aponta-se interrogativa o seu semblante, e eu um mero cúmplice de seus segredos.


Sobre a amizade


EG:
- Celebrar aqueles que compassam o mesmo comum, vivem os mesmos flertes de memória. Aos conjugues amigáveis de verdade, excitações, exclamações e outros ressentimentos, é ter porto ao navegar sem padecer de ser só. Um brinde ao nosso conluio, um brinde a nós!

AP:
- Sim, aprecio! Um brinde a nós. Um brinde a vida, a falácia do viver, brindar ao único, inusitado. Comemorar a arte de viver, no limite do ilimitado, na mentira mais verdadeira... Sentidos e sentidos. Sentir que ter alguém vale mais que ter a si próprio.